A PROBABILIDADE MATEMÁTICA APLICA-SE À VIDA EM GERAL?

Ainda como resquício do tema da teoria do caos que foi abordada no texto anterior, iremos agora rememorar aos curiosos a ansiedade do ser humano em saber se seria possível ou não prever, mesmo que superficialmente, o futuro.

É obvio que não se fala nessa assentada do aspecto místico, da pura e simples adivinhação, mas de descobrir até que ponto é possível prever os acontecimentos possíveis de acontecer.

Novamente, caímos na vala comum de nos perguntar se os conceitos matemáticos podem ser utilizados na vida em geral.

Segundo a matemática existem dois tipos de conceito de probabilidade[1]:

Probabilidade de frequência ou probabilidade aleatória, que representa uma série de eventos futuros cuja ocorrência é definida por alguns fenômenos físicos aleatórios. Este conceito pode ser dividido em fenômenos físicos que são previsíveis através de informação suficiente e fenômenos que são essencialmente imprevisíveis. Um exemplo para o primeiro tipo é uma roleta, e um exemplo para o segundo tipo é um decaimento radioativo.


Probabilidade epistemológica ou probabilidade Bayesiana, que representa nossas incertezas sobre proposições quando não se tem conhecimento completo das circunstâncias causativas. Tais proposições podem ser sobre eventos passados ou futuros, mas não precisam ser. Alguns exemplos de probabilidade epistemológica são designar uma probabilidade à proposição de que uma lei da Física proposta seja verdadeira, e determinar o quão "provável" é que um suspeito cometeu um crime, baseado nas provas apresentadas.

            Basicamente a matemática decide que há fenômenos futuros que são previsíveis e outros que não o são.

            O exemplo clássico é o de lançar uma moeda por uma única vez. Nesse caso, a probabilidade de a face da mesma ser coroa é de 50%, assim como o inverso também o é. Porém, se a mesma moeda for jogada objetivando o mesmo resulta (cara ou coroa), só que desta feita não uma, mas algumas vezes, a partir daí a previsibilidade ira diminuindo até chegar ao ponto de ser imprevisível.

            Um exemplo de evento imprevisível é o jogo denominado roleta. Digamos que 5 pessoas apostem cada uma num número e haja 30 números possíveis. A probabilidade de cada jogador acertar é de 1/30 avos. Por outro lado, jogando os 5 jogadores de um vez só, cada um tem o equivalente a 1/30 avos de probabilidade de vencer somados a 1/25 possibilidades de nenhum deles ganhar. Então 1/30 x 1/30 x 1/30 x 1/30 x 1/30 x 1/25 = 1/607500000, já tendo em conta os cinco jogadores.

Esta conta provavelmente está errada (relembre-se que aqui se sabe um pouco de ciências naturais e quase nada de exatas, mesmo assim fomentamos o confronto entre ambas), por isso peço que se algum matemático de plantão me puder corrigir, que o faça. A questão é: o nosso objetivo é demonstrar que quando se depende exclusivamente da sorte, não há como se prever acontecimentos futuros.

Assim, o jogo da roleta é espécie do gênero jogo de azar uma vez que se prende exclusivamente a aleatoriedade.

            Um distinção interessante a se trazer à baila é aquela em que o direito traça três conceitos, o de jogos permitidos,[2] o de tolerados e o de autorizados:

No Brasil, os jogos são classificados em três categorias: autorizados, tolerados e proibidos.  Vejamos.

Os jogos que trazem algum benefício – direto (geração de mais renda para o Estado, ex. Loteria) e/ou indireto (incentivo ao esporte, ex. turfe) - à População são autorizados no Brasil.  

Por outro lado, são apenas tolerados pelo direito brasileiro, os jogos cujo o resultado não dependem somente da sorte, mas também da habilidade do jogador, tais como, o pôquer. 

Já os jogos de azar (ex. roleta, jogo do bicho) são totalmente proibidos no Brasil. O jogo de bingo também passou a ser proibido em nosso país, além das apelidadas maquinas de caça-níqueis.

            Primeiramente, temos que os jogos esportivos são permitidos porque além de trazer o benefício à saúde do corpo, colabora com a da mente.


Numa segunda categoria, há os jogos que se dividem entre a técnica e a sorte, como por exemplo o pôquer. Esses são apenas tolerados.


E, finalmente, aqueles que apenas dependem da aleatoriedade, conhecidos como jogos de azar, a exemplo do jogo do bicho.

            Nesse ponto é imperioso citar o que disse Aristóteles: “Virtus in medium est”[3], ou seja, a virtude está no meio.


            Com relação ao primeiro tipo de jogos, os chamados jogos de azar (roleta; caça-níqueis; bingo; roleta; etc.) a tendência é a compulsão porque a dependência exclusiva da sorte para saber-se qual será o resultado gera no ser humano o ímpeto de querer tornar-se “dono de uma situação imprevisível”, ou seja, o indivíduo tentará por infinitas vezes adivinhar um resultado imprevisível.

            Vale aqui frisar que determinados indivíduos tem maior ou menor propensão a determinado vício.

                No fim das contas, se insistir nas tentativas, essa pessoa acertará bem menos do que errará e valerá o conhecido adágio: “A casa sempre vence”.

            No que atine à segunda leva, temos o pôquer que se coloca como se fosse a transição entre o maléfico e o benefício, uma vez que quanto mais se conhece as combinações de cartas que levam às “mãos” vencedoras e o quanto melhor se lê os adversários, menos se depende da sorte, mais nunca se chega a depender exclusivamente dos conhecimentos técnicos.

             Da mesma forma, dependendo da propensão do indivíduo, ainda os jogos tolerados induzem ao vício, por isso são tolerados, para evitar-se um mal maior (mas sobre a teoria do mal maior falar-se-á noutro momento).

            Finalmente, as competições esportivas são permitidas sem restrições porque dependem muito mais da técnica e da prática do que da sorte, exemplifiquemos tal situação com os jogadores de tênis de mesa olímpicos, de modo que aquele que treinou mais e adquiriu mais técnica vencerá a partida.

            No mesmo sentido são os jogos em equipe, onde a junção das habilidades dos membros desta aos treinos empreendidos, tornam-se muito mais relevantes do que a sorte para revelar um resultado positivo.

            Enfim, foi possível perceber que no que diz respeito a jogos, existem muitos o direito (ciência natural) é rico em exemplos de como àqueles conceitos influenciam na vida em geral.

Temos também, a aplicação da probabilidade na psicanálise.

           Existe dentro dessa ciência o estudo da personalidade que usando da psicometria[4] traçou um padrão conhecido como tipologia Myers Briggs[5].pelo qual as autoras, baseadas nos ensinamentos de Carl Jung, traçaram os 16 tipos de personalidade possíveis através da individualização em cada uma das quatro dicotomias.

    Essas dicotomias são: “a” extrovertido/introvertido; “b” sensorial/Intuitivo; “c” pensador(t)/emocional(f) e “d” julgador ou perceptivo.

            Diante das combinações que vimos acima, obtemos um padrão matemático para os comportamentos, onde as pessoas podem ser introvertidas ou extrovertidas e somente uma dessas duas alternativas, sensoriais ou intuitivas e assim por diante, resultando na combinação de resultados possíveis: 2 x 2 x 2 x 2 = 16.

            Isto é, digamos que a pessoa seja introvertida; intruitiva(n); emotiva(f) e perceptiva, ela é a combinação INFP, denominada de mediador[6].

            Na prática nós temos que esse indivíduo tem uma série de características que todas as pessoas que possuírem esta personalidade portarão, o que nos torna capazes de prever muitas atitudes e saber, inclusive, para quais profissões tal pessoa tem mais aptidão.

            É é o ponto fulcral desse texto, pois mesmo que seja definida a personalidade, é impossível prever todas as formas de comportamento que a pessoa terá, mas é plenamente plausível prever muitas dessas formas.

            Retomando o nosso exemplo, o indivíduo denominado de mediador não gostará de estar no centro das atenções; não trabalhará bem com ideias práticas; decidirá influenciado pela emoção e não terá um estilo de vida organizado.

            Pode-se dizer, assim, que a carreira de Juiz de Direito, por exemplo, não é a mais indicada para essa pessoa, pois em tal mister se tem que presidir as audiências, o que coloca o profissional no centro das atenções o tempo inteiro; decide-se constantemente sobre casos concretos envolvendo outros seres humanos; e, finalmente, toma-se bastante decisões, de modo que obtê-las no calor do momento, como é peculiar a esse tipo de personalidade, não é bom nem para tal empreitada nem para a vida em geral.

            O que se pode entender com isso é que depois de formada a personalidade é possível prever boa parte das atitudes de alguém, mas não todas, porque à equação matemática da vida são adicionadas duas variantes poderosas: o livre-arbítrio que sempre dá azo a duas decisões (nesse caso, mais especificamente, optar pela minha característica ou não, por exemplo, optar por assumir a extroversão ou negá-la, tomando atitudes introvertidas isoladas); e a incógnita que chamaremos de imponderável, ou seja, aqueles fatores imprevisíveis como uma tragédia da natureza sempre modificam ferozmente os acontecimentos.

            “Conclusão das conclusões”: “a” as formulas matemáticas não podem ser aplicadas às ciências humanas ipses litteris; “b” apesar de não se poder aplicar tais formulas em sua plenitude, é possível às ciências humanas beneficiar-se delas, pois há sistemas como o citado Myers Briggs que são de grande utilidade; e “c” no que pertine aos jogos, a ciência do Direito traçou um panorama didático dos jogos proibidos, dos tolerados e dos permitidos que pode nos guiar pela vida em geral, mostrando que condutas devem sem preteridas e qual devem ser percorridas, lembrando-se sempre a grande máxima de um ícone de outra ciência social que nos ensina que a virtude está no meio.


            Mas pra não fugir à regra, vamos finalizar esse escrito com o seguinte ditado popular: “O futuro a Deus pertence”, afinal, podemos nos conhecer um pouco, podemos ter uma ideia do que acontecerá, mas só Deus que, segundo o estudo sistematizado de passagens bíblica, é onipotente[7]; onipresente[8] e onisciente[9] é quem sabendo de todas as coisas, bem como podendo tudo, somente Ele sabe o que vai acontecer, sendo capaz, inclusive, de mudar aquilo que tinha 100% de possibilidade de se tornar definitivo.

*Relendo o texto, foram percebidos e corrigidos erros materiais.




           








           
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Probabilidade
[2] http://caetanoadvogados.blogspot.com.br/2012/07/quais-os-jogos-e-apostas-que-sao.html
[3] https://www.cartacapital.com.br/cultura/virtus-in-medium-est-8139.html
[4] https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicometria_(psicologia)
[5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Tipologia_de_Myers-Briggs
[6] https://www.16personalities.com/br/descricoes-dos-tipos
[7] Deus tem todo poder. Não há nada que Ele não pode fazer! Seu poder é total (Gênesis 17:1).
[8] A Bíblia diz que é impossível fugir de Deus, porque Ele está presente em todo lado (Salmos 139:7-8).
[9] Nós nem sempre entendemos o que está acontecendo mas Deus sabe e está no controle. Quando obedecemos a Deus, encontramos sabedoria (Salmos 111:10).

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